Transição deve ser feita aos poucos e sem radicalismos

Um dos maiores desafios de quem quer emagrecer é mudar os hábitos alimentares. Isto porque temos uma “memória alimentar” que está sempre nos lembrando dos alimentos que mais amamos, e que nem sempre são saudáveis. 

Reprogramar a mente não é tarefa fácil. Segundo o Dr. Fernando Cerqueira, médico nutrólogo da clínica FC, o primeiro passo é trabalhar  “os gatilhos” da mente, ou seja, tudo aquilo que te sabota. 

Acredite que a comida saudável é melhor para seu corpo. Isso faz você pensar que comer saudável é sempre melhor do que se alimentar com fast food, sugere o médico. 

Para Viviane Pereira, nutricionista do Mundo Verde, outra dica importante é fazer a mudança de hábitos aos poucos. 

A transição deve ocorrer de forma tranquila, sem ser vista com um castigo. Isso é o que chamamos de reeducação alimentar, quando as pessoas reaprendem a importância da comida de verdade no seu dia a dia e aprendem a fazer as melhores escolhas de acordo com suas necessidades individuais, dessa forma, a mudança será “menos dolorosa” e duradoura”, esclarece a especialista.

Trocas espertas

A reeducação alimentar pode começar a partir de hábitos simples. Trocar alguns alimentos é um deles. Os especialistas sugerem algumas dicas:

  • Troque óleos de cozinha tradicionais como soja, milho, girassol, canola, etc por óleo de coco, de abacate e azeite de oliva para o preparo dos alimentos. 
  • Evite o consumo dos açúcares refinados. Se for necessário adoçar as preparações, prefira os açúcares mascavo, demerara ou de coco. Para aqueles que não podem açúcares, existem os adoçantes naturais como stévia, xilitol e eritritol. Independente da escolha, esses devem ser sempre consumidos com o máximo de moderação possível.
  • Substitua refrigerantes (normais, diet, light, zero) e sucos prontos por chás naturais ou água de coco (sem sacarose e conservantes). Vale lembrar que esses não substituem a água pura!
  • Aposte em água, essa é sempre a melhor escolha. 
  • Opte por alimentos integrais, que são mais ricos em vitaminas, minerais, fibras e outros nutrientes;
  • Evite produtos processados e industrializados, dando preferência ao consumo de comida de verdade, ou seja, frutas, legumes, verduras, castanhas, sementes e leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, grão de bico e outros);
  • Não conte calorias, mas fique atento às embalagens como um todo, principalmente à lista de ingredientes dos produtos. O ideal é que ela seja a mais curta possível e que todos os itens sejam reconhecidos;
  • Para que essas mudanças sejam ainda melhores, incorpore a prática regular de atividade física à sua rotina, escolha um exercício que te proporcione prazer em praticá-lo, assim a resposta na saúde será ainda melhor;
  • Quando der vontade de comer doces, uma boa opção são as frutas in natura. Aquelas desidratadas também podem ser alternativas, de preferência sem adição de açúcar.  E que tal uma sugestão: fatie um abacaxi, banana ou maçã com canela por cima e coloque por 30 a 40 segundos no microondas. 

Dê o primeiro passo

A boa notícia é que os brasileiros estão aderindo hábitos mais saudáveis. Dados do Ministério da Saúde revelam que a prevalência de obesidade e excesso de peso praticamente estagnaram no país. 

O estudo mostrou que o consumo regular de frutas e hortaliças cresceu 4,8% (de 2008 a 2017), que a prática de atividade física no tempo livre aumentou 24,1% (de 2009 a 2017) e que o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 52,8% (de 2007 a 2017).

Sendo assim, iniciar mudar os hábitos alimentares exige que o indivíduo tenha força de vontade para dar o primeiro passo. Sem radicalismos, pois restrições alimentares não trazem benefícios e podem causar problemas sérios, como a compulsão alimentar. 

É preciso esperar o corpo adaptar-se ao novo estilo de vida, por isso paciência é a palavra chave. Lembre-se: não é possível mudar anos de uma vida desregrada em uma vida saudável do dia para a noite.

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