A doença celíaca é autoimune, caracterizada por uma intolerância permanente ao glúten, na qual ocorre atrofia total ou parcial da mucosa do intestino delgado proximal, com a consequente má absorção de nutrientes em indivíduos geneticamente suscetíveis.
O glúten é uma proteína encontrada no trigo, na aveia, no centeio, na cevada e no malte. Atualmente 1% da população mundial é portadora da doença. No Brasil, afeta cerca de 2 milhões de pessoas, porém a maioria ainda se encontra sem diagnóstico.
Os sintomas podem variar desde as características clássicas, como diarreia ou prisão de ventre, distensão abdominal, flatulência, perda de peso, náuseas, enjoos, aos sintomas latentes, como a deficiência de nutrientes isolados, porém sem sintomas gastrointestinais.
O tratamento é feito por meio da exclusão total do glúten do cardápio, momento em que se observam melhoras no quadro clínico da doença e dos sintomas associados.
Além da retirada do glúten do cardápio, a ingestão de alguns alimentos e suplementos naturais pode auxiliar na melhora do quadro clínico do paciente e dos sintomas da doença.
Óleo de peixe, óleo de linhaça, óleo de chia: ricos em ômega-3, um tipo de gordura que possui efeito anti-inflamatório, combatem a inflamação do intestino, auxiliam na regeneração dos enterócitos e fortalecem o sistema imunológico. Esse tipo de gordura é extremamente benéfico para os portadores de doença celíaca e deve ser suplementado para a maioria dos casos.
– Oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas, semente de girassol, gergelim): ótimas fontes de nutrientes, como vitaminas do complexo B, vitamina E e, principalmente, cálcio e magnésio.
O cálcio e o magnésio são minerais importantes para a calcificação e para o fortalecimento dos ossos, ponto a que o celíaco precisa ficar atento. Se uma quantidade insuficiente de cálcio é ingerida ou absorvida para manter seu nível no sangue, esse mineral é retirado dos ossos, o que os torna mais fracos e porosos.
– Quinoa e amaranto: são grãos isentos de glúten e com alto teor de proteína, nutriente importante para o celíaco na reconstrução das microvilosidades intestinais. Possuem baixo índice glicêmico, o que atua na prevenção e no controle de diabetes, doença por vezes relacionada à doença celíaca.
– Glutamina: aminoácido que dá energia para as células absortivas do intestino. Ajuda no tratamento da hiperpermeabilidade intestinal, na reconstrução das vilosidades e indiretamente na melhor absorção dos nutrientes.
– Probiótico: suplemento alimentar que contém microrganismos vivos que quando ingeridos em quantidades suficientes promovem equilíbrio da microbiota intestinal. Em pacientes com doença celíaca normalmente ocorre o quadro conhecido como disbiose, no qual há prevalência de bactérias patogênicas na microbiota intestinal, o que prejudica a digestão e a absorção de nutrientes. O consumo de probióticos favorece o efeito anti-inflamatório e melhora os desconfortos digestivos, como estufamento abdominal e dores, além de aumentar a absorção de nutrientes ingeridos na dieta.
Farinha ou biomassa de banana-verde: a banana-verde possui alta quantidade de amido resistente, um tipo de fibra que tem função prebiótica. Como não é digerido nem absorvido no intestino delgado, chega ao intestino grosso, onde é fermentado pelas bactérias probióticas, servindo de energia e alimento para essas bactérias. Também mantém a integridade da mucosa intestinal, responsável pela absorção adequada de nutrientes e pela barreira para substâncias prejudiciais ao organismo.
Em geral, os pacientes ficam desorientados com o diagnóstico da doença, pois sentem dificuldade em fazer a substituição dos alimentos com glúten por outros sem glúten. Por isso é muito importante procurar um profissional nutricionista para auxiliar na elaboração do cardápio e orientar quanto ao uso correto dos alimentos e suplementos sugeridos.

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