Reduzir ou eliminar os carboidratos do dia a dia já virou rotina para muita gente que quer perder peso ou manter-se mais saudável. Isto ocorre porque ele é considerado um dos maiores vilões de dietas. Mas será que o carboidrato, de fato, engorda?

De acordo com Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), é preciso ter cautela com extremismos. Segundo ele, as principais funções do carboidrato no organismo são referentes ao armazenamento energético, à produção de energia e à estruturação celular.

Carboidratos simples e complexos

Segundo Viviane Pereira, nutricionista do Mundo Verde, os carboidratos são os principais fornecedores de energia do organismo. Eles são divididos em simples e complexos. Os carboidratos simples em geral são as massas brancas (arroz, macarrão, pão branco), mel, xarope de milho, açúcar, entre outros.

Na lista dos complexos estão os alimentos integrais (arroz, pão, macarrão), batata doce, abóbora, brócolis, aveia, mandioca, vegetais e sementes, como a linhaça. Eles são ricos em fibras, que garantem mais saciedade, além de serem absorvidos mais lentamente pelo organismo e fornecerem energia por mais tempo.
Segundo Viviane Pereira, , as versões complexas são as mais recomendadas, pois além da energia, fornecem mais vitaminas, minerais e fibras quando comparadas às versões refinadas.

 

É saudável abolir carboidrato da dieta?

O carboidrato é um nutriente essencial para o funcionamento do corpo. É utilizado em funções básicas do organismo, como o fornecimento de energia para as atividades celulares, muito útil para quem pratica atividade física, por exemplo.

 

Mas não são somente os exercícios físicos e os esportes que gastam energia. Atividades corriqueiras do dia a dia também gastam, como andar, varrer a casa, ler e até ficar parado.

 

“O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam que o carboidrato seja a principal fonte de nutrição da alimentação, representando de 55% e 60% dos nutrientes do dia”, aponta o médico nutrólogo. “Uma dieta que restrinja qualquer tipo de alimento, é ruim. No caso dos carboidratos, a ausência dele na alimentação causa tontura, dor de cabeça e até desmaio”, alerta.

Ainda de acordo com a nutricionista, assim como outros macronutrientes (gorduras e proteínas), os carboidratos possuem calorias que quando em excesso podem ser armazenadas no organismo na forma de gordura. Mesmo assim, não é indicado cortar os carboidratos da dieta. É importante que seja dada preferência para os melhores tipos e que a quantidade seja ajustada de acordo com a necessidade de cada um, sempre com acompanhamento de um profissional da área.

 

“Quando bem planejada e com acompanhamento nutricional, a restrição no consumo dos carboidratos pode favorecer o processo de emagrecimento, auxiliar no controle glicêmico e outros benefícios. O acompanhamento nutricional é fundamental para que essa dieta seja adequada em escolhas e quantidades que serão consumidas”, enfatiza a nutricionista Viviane Pereira.

 

Uma das estratégias usadas por quem quer emagrecer mais rápido é diminuir o consumo dos carboidratos. É o que ocorre em dietas hiperproteicas, ou seja, ricas em proteínas. Elas têm o benefício de gerar saciedade, por isso garantem resultado como perda de peso rápida. Isto porque as proteínas são as que mais queimam energia para serem metabolizadas. No entanto, este plano alimentar não deve ser feito por todas as pessoas e deve ser acompanhado por um nutricionista. O profissional será responsável por ajustar o tempo em que a dieta será realizada, evitando assim efeitos colaterais.

 

Quantidade recomendada

A quantidade de carboidratos recomendada depende de cada indíviduo e suas necessidades. O ideal é não ingerir menos de 50 gramas por dia. Neste caso, a taxa de desistência do novo plano alimentar é muito menor e os efeitos mais positivos a médio e longo prazo.

“Para manter-se saudável o ideal é ter uma alimentação balanceada e diversificada, em refeições aonde estejam sim presentes os carboidratos, se possível, os integrais, como arroz, pão, macarrão, os legumes e as verduras, além das frutas. Além disso, ainda incluo a prática regular de atividade física”, sugere o médico.

Por fim, não é preciso restringir qualquer alimento da sua rotina para se manter saudável, apenas consumi-los com moderação, dando preferência para as suas versões mais naturais possíveis.

“Pela Jornalista Fernanda Lima”